Prof.
Geraldo Bernardo
Que sou
matuto, poeta, professor, disso todos que me conhecem sabem. Antropofágico também
sou, reinventei a Quaresma.
O
significado cabalístico vou encontrar nas quatro fases da lua, quatro tarefas
que farei para cumprir um objetivo; se é para lembrar escravidão: quatrocentos
anos de comércio fez o povo cristão contra os africanos, foi castigo bem pior e
diferente que o dos hebreus lá no Egito; o êxodo dos hebreus os uniu numa
cultura milenar, mesmo que não concorde com alguns de seus princípios, havemos
de conhecer a força cultural que os une, difere os êxodos forçados a que fomos submetidos
pelas elites deste país e que nos divide culturalmente; ao dilúvio celebrado,
invoco a honra do sangue derramado pelos povos originários, daqui e todos os
continentes, por cristãos dizimados.
Jesus
se recolheu no deserto? Tudo indica que sim, mas, sobre Luci (o cão) a história
contada dever reinterpretada.
Sei que
não tenho sangue divino, mas, digo que desde menino vejo e ouço a tentação,
este lado humano, que sangra ansiedade; que arde de vontade de pular cerca; que
se remói internamente buscando um prazer desconhecido; este lado, que fica do lado
de dentro é a fala da alma ancestral, do elo perdido, dos Otxukayones que a língua
Brobó dos Taraírius celebrava.
Se
escrever é meu fado, devo-o fazer sem enfado, quarenta dias e quarenta noites
(ou mais), não como Moisés, numa colina, mas, distante da turba que só reproduz
o que manda os donos de suas mentes viciadas em redes sociais;
Não
irei a Monte Horebe, na Paraíba, como fez Elias, indo para Oreb encontrar-se com
seu Deus. Espero ao menos ter participado de um momento com a coletividade a
que faço parte, neste país colonizado.
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Parabéns colega, ótima reflexão, gostei muito.
Max
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