Poesias, crônicas, contos e dramaturgia escritas por: Geraldo Bernardo, tendo como cenário o sertão, seus personagens e mitos.


Sousa-PB, 
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FADO

Escrito por : Geraldo Bernardo em quarta-feira, 20 de junho de 2018 | 7:25 AM





Cá estou eu, fazendo um fado
de maneira diferente,
todo rimado em sextilhas,
como se canta repente.
Podendo ser declamado
na escola ou qualquer ambiente.

Na fala de nossa gente
é sempre muito comum
dizer que fez algo por fado.
Pode perguntar a qualquer um:
“Por que fulano bebe?
“É fado! Sem motivo algum.

Fado não é coisa incomum
Ocorre a todo ser humano
É o inevitável vivido
nesse mundo e no outro plano.
Independe da vontade
traz glórias e desengano.

Se cantado por um soprano
seria triste este fado?
Mais triste que a prostituta
que traz na face o enfado?
Ou do pândego solitário
que finda abandonado?
  
Um dolente musicado
executado por guitarra
e uma lusitana cantando,
o dia já quebrando a barra,
deve ser um bom momento
para achar o fado, na farra.



















LAÇOS

Escrito por : Geraldo Bernardo em sábado, 16 de junho de 2018 | 5:55 PM





Para se conquistar alguém
só laço feito de emoção.
Laçada sem muito arrocho
laceada pela paixão.
Que laço de sentimento
não se laceia usando a mão.

É laço que laça coração,
que tem como isca o olhar.
O artifício laçador
é difícil de se encontrar
um que seja verdadeiro,
pois, é muito fácil se enganar.

Qualquer um pode até laçar
e também ser laçado
por paixão passageira
que é amor disfarçado.
Só serve pra laçar isca,
é preciso ter cuidado.

Não sendo bem manejado
o laço de laçar quem amar
pode laçar uma mágoa
e todo sentimento estragar.
Quando o laçador é laçado
é o laço correto de usar.



Doido da Matureia

Escrito por : Geraldo Bernardo em sexta-feira, 8 de junho de 2018 | 1:14 PM

SUVELA

Escrito por : Geraldo Bernardo em domingo, 3 de junho de 2018 | 3:13 AM



Sei que alguém por aí perguntou:
mas, o que diabos é “suvela”?
Respondo, já, na bucha.
Quando a seca flagela,
rio apartado, poço seco,
tudo serve à panela

A magra traíra amarela
sobrevive até na lama.
Comprida e cabeçuda,
donde vem nome e fama.
Por parecer certa agulha
e assim todo mundo a chama.

Levanta doente de cama
um pirão desta iguaria.
O caldo é recomendado
dá ao velho moral e energia.
Peixe carnívoro e voraz,
come aos outros, ao sapo a rã e a jia.

DEVANEIO NO ESCURO.

Escrito por : Geraldo Bernardo em quinta-feira, 22 de março de 2018 | 8:38 AM






Blecaute ocorre na maior parte do país.
Pessoas correm atônitas pelas ruas,
as falas nas calçadas deixam as almas nuas:
- Deve coisa do PeTê, a moça diz;
- Ora! É o “mizera” do Temer, outra desdiz.
No “zap” circula um comunicado
dando conta de que um grupo armado
em Belomonte fizeram ocupação,
de um manifesto exigiam divulgação
de uma reforma geral do Estado.

Exigiam a justiça fazer eleições gerais;
revogar a reforma trabalhista;
desfazer a legislação entreguista;
era enorme a lista de outras coisas mais.
Diziam não querer a guerra, eram de paz,
mas, estavam prontos para o que viesse
morriam todos se a tropa interviesse,
o gerente, o golpista e o capataz.

A Frente de Libertação Popular,
como o grupo se denominava,
com grande contingente contava
também aproveitou para recrutar
todos que tivessem idade de lutar,
desejavam criar uma nova Nação.
Tudo foi interrompido sem explicação,
de repente senti que era grande o breu,
só pouco depois o tato apareceu,
belisquei-me e acordei de supetão.




AMANHECER

Escrito por : Geraldo Bernardo em quarta-feira, 3 de janeiro de 2018 | 6:39 AM


Caminho cedo com a Pequena. Espalhafatosa cadela, ansiosa.
Exploramos o despertar do Sorrilândia, o chiar das vassouras e voz líquida minguadas das torneiras no racionamento.
Um sai de moto e uma porta se fecha com ajuda de uma mão que esconde o resto do corpo de camisola.
Cães vadios, mendigos de lares, pernoitados entre sacolas de lixo, garimpam sobras de assados do réveillon.
As padarias dão o aroma de assado ao amanhecer.
Pensamentos, planos e projetos desanuviam meu juízo enquanto nuvens esparsas, avermelham o tapete do céu para receber o sol, estrela maior do dia via lácteo.
Os pardais acordam experimentando seus instrumentos, logo, forma-se uma sinfonia batutada pela luz que se amplia.
Imagino que é hora de honrar a quem arquitetou todas estas coisas.
Obrigado!


O PERU DE NATAL

Escrito por : Geraldo Bernardo em domingo, 31 de dezembro de 2017 | 4:11 AM



Seu Júlio tinha fama
no bairro onde morava.
De tudo ele cuidava:
de buraco de lama;
e, ainda esquentava a cama
de uma solitária qualquer.
A coitada de sua mulher
já estava acostumada
vivia sendo chifrada
mas dizia: - É a mim que ele quer.

Morador muito antigo
daquela localidade,
bairro famoso da cidade,
dizia-se grande amigo
e pronto para dar abrigo
a qualquer pessoa carente.
Assim, virou presidente
da Liga de Moradores.
Fazia muitos favores
e adorava ditadores.

Um ano, véspera de eleição,
teve uma ideia original.
Fez grande ceia de Natal
para anunciar a decisão
em colocar-se a disposição
seu nome pra vereador.
Antes de perguntar ao eleitor
quis conquistar o partido.
E, como havia decidido,
só convidava apoiador.

Veio o prefeito do lugar,
de gravata laranja,
esbanjando sua franja.
Também o chefe militar
e o juiz não podiam faltar.
O deputado corrupto,
trouxe um capanga bruto
e um radialista babão.
E para mostrar devoção,
um padre para abençoar.

Mesa posta, hora do jantar.
Um enorme peru assado
apetitoso e dourado,
atavio da mesa ovalar.
Cada qual quer comentar
do naco que se serviu.
O juiz, diz, mordendo o pernil:
- Vigoroso como a lei.
Foi quando Valter Dysney
No meio da história surgiu.

Era unigênito, Dysneyzinho,
com as mãos em concha na boca
ria, um risinho de voz rouca:
qui, qui, qui... baixinho.
Seu Júlio olhou de ladinho.
A secretária do partido
Vestia micro vestido
deitou-se sobre a mesa
e disse ter certeza:
o melhor peru comido.

O padre empedernido
comenta: quem come asa,
não se cansa e nem atrasa.
Dysneyzinho, divertido,
com seu riso contido
qui, qui, qui cá, cá, cá, cá;
Seu Júlio olha pra lá e pra cá;
a mãe cutuca o garoto
e ele continua maroto:
Qui, qui, qui cá, cá, cá, cá.

O deputado comilão
abarrotou o prato e falou:
- Namorador como sou
não posso perder ocasião
e como manda a tradição
vou comer este sobrecu
com uma dose de pitu.
Disse na gargalhada
e com sua faca afiada
cortou um naco de peru.

Dysneyzinho não suportou
riu desbragadamente
ecoando em todo ambiente.
Seu Júlio já se enfezou,
ríspido, ao filho perguntou:
- Diga logo, o que tens tu?
Quer provocar um sururu?
E ele respondeu mangando
- Quantas vezes, tô lembrando,
que comi o cu deste peru.




O BRASIL NOS FAZ DE JEGUE.

Escrito por : Geraldo Bernardo em quinta-feira, 30 de novembro de 2017 | 7:08 AM




Ser brasileiro hoje em dia
É ter vida de jumento
E suportar o sofrimento.
No lombo o relho assovia
Pela mão da burguesia
E a gente sente e nada faz,
Finge que está tudo em paz,
Só pensa no futebol.
Labutando de sol a sol
E o Brasil indo para trás.

Este país hoje é retrato
De uma vil ditadura
Para tudo há censura.
Veem maldade em todo ato
Em exposição ou retrato
No arco íris e nas cores
Que contrarie os valores
De quem se apossou do país.
E o povo, tal jegue infeliz
É quem sofre os dissabores.

Vivemos sob a chibata
De uma grande quadrilha.
Em todo canto há armadilha
Pra roubar nossa prata.
Uma política ingrata
Entreguista, vil e infame.
Se tem alguém que reclame
Já é chamado de petralha.
Chamam herói quem atrapalha
É cínico e dá vexame.

Com vilania e indecência
Estão liquidando o país
Embaixo de nosso nariz.
Irão mudar a Previdência
Sem pedir nossa anuência
Vai-se a aposentadoria
Alento para quem queria
Descansar na velhice.
Os heróis da cretinice
Acabaram com essa alegria.

O Congresso brasileiro
É mentor da canalhice
Junto com o vampiro vice
Mais o Supremo boleiro
Que só pensam em dinheiro
E contra o povo fazem o mal
Dando por ninharia o pré-sal
A Amazônia e até a Eletrobrás.
Este país caminha para trás
E sua gente pro bamburral.

Sobe a luz e o gás de cozinhar
E baixa nossa autoestima.
Aumenta a gasolina
Sem ter teto pra parar.
Só vejo tudo piorar.
E, como jegue em rodovia
Que não relincha ou assovia
No acostamento pastando
Ficamos só esperando
Morrer atropelados um dia.













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